Nomad, Inter e Avenue NÃO São Como Schwab e Interactive Brokers
As diferenças que realmente importam para o investidor.
Nos últimos anos, surgiram inúmeras opções para investir no exterior.
Mas você sabia que Nomad, Inter, BTG e outras plataformas oferecem formas diferentes de acessar a mesma infraestrutura americana?
Neste artigo, vamos entender por que essas plataformas são diferentes de corretoras como a Charles Schwab e a Interactive Brokers.
Vamos ver como esse modelo funciona, suas vantagens, suas limitações e, ao final, em quais situações cada alternativa faz mais sentido.
Modelos diferentes
Corretoras como a Interactive Brokers e a Charles Schwab são operações verticalmente integradas.
Elas não apenas captam clientes e desenvolvem seus sites e aplicativos. Também controlam a infraestrutura de execução e custódia dos investimentos.
Construir e manter essa estrutura custa caro e demanda tempo.
Com o avanço da tecnologia, em 2012 surgiu um modelo alternativo.
Empresas como a Apex e a DriveWealth passaram a construir essa infraestrutura e oferecê-la para terceiros, em um modelo conhecido como Brokerage as a Service.
As corretoras e fintechs, por sua vez, utilizam essa infraestrutura terceirizada e podem concentrar seus esforços na captação de clientes e na experiência do usuário.
Hoje, plataformas que parecem muito diferentes entre si muitas vezes utilizam exatamente a mesma infraestrutura.
Voltadas ao público brasileiro, as pioneiras foram a Avenue, utilizando a Apex, e a Nomad, utilizando a DriveWealth, seguidas por diversas outras plataformas de investimento internacional.
Vantagens do modelo
Ao deixar a infraestrutura de negociação e custódia nas mãos da Apex ou da DriveWealth, essas empresas puderam concentrar esforços naquilo que o cliente realmente percebe.
Foi assim que surgiram facilidades como:
abertura de conta totalmente online;
integração com parceiros bancários e de câmbio;
envio e recebimento de recursos via Pix;
cartões de débito internacionais;
aplicativos intuitivos e fáceis de usar;
relatórios práticos para declaração do Imposto de Renda;
atendimento em português.
Essas facilidades reduziram significativamente as barreiras para investir no exterior, fazendo esse modelo se espalhar rapidamente.
Hoje, Nomad, Inter, BTG e Vest utilizam a infraestrutura da DriveWealth, enquanto Avenue e XP utilizam a Apex.
Mas essa simplicidade também traz algumas limitações.
Ações e ETFs: o lado ótimo
O preço a se pagar é que todas essas plataformas ficam limitadas à capacidade e à linha de produtos do duopólio DriveWealth–Apex.
Para quem opera ações ou ETFs americanos, isso dificilmente representa um problema.
Toda a infraestrutura dessas empresas foi criada para operações em bolsa.
A tecnologia de ponta e os aplicativos intuitivos tornam investir em ações uma experiência bastante simples.
Além disso, especialmente na DriveWealth, existe o fracionamento de ações, permitindo investimentos a partir de US$ 1 com a mesma eficiência de ordens maiores.
Operações mais sofisticadas, como opções, também podem estar disponíveis.
Para o investidor focado em ações, ETFs e até algumas estratégias com opções, as diferenças em relação à Schwab ou à Interactive Brokers tornam-se muito menos perceptíveis.
Mas quando falamos de renda fixa, a situação muda significativamente.
Renda fixa: o gargalo
A DriveWealth e a Apex foram criadas para negociações em bolsas de valores.
Mas a maior parte da renda fixa é negociada no mercado de balcão (OTC).
E a infraestrutura desse modelo encontra dificuldades nesse ambiente mais descentralizado e menos padronizado.
Mesmo após investimentos e parcerias para reduzir essa lacuna, a diferença ainda é grande em relação às instituições mais tradicionais.
Como consequência, a oferta de renda fixa costuma ser mais limitada e menos competitiva.
O investidor dessas plataformas acaba dependente dessas limitações.
Isso fica evidente ao comparar a variedade de títulos disponíveis e seus rendimentos com os oferecidos por corretoras tradicionais.
A forma como muitas plataformas procuram contornar esse problema revela outra limitação.
O caminho americano
Como toda essa infraestrutura foi desenvolvida para operações em bolsas americanas, a alternativa natural acaba sendo a utilização de ETFs de renda fixa.
Para investidores americanos, essa solução funciona muito bem.
Mas investidores estrangeiros enfrentam um obstáculo importante: a tributação de 30% sobre as distribuições.
Como essas distribuições representam grande parte do retorno dos fundos de renda fixa, a atratividade dessa alternativa diminui consideravelmente.
A dependência da infraestrutura
Isso revela o ponto central.
Mesmo oferecendo excelentes serviços aos seus clientes, essas plataformas só conseguem disponibilizar aquilo que seus provedores de infraestrutura permitem.
Em ações e ETFs, isso normalmente não representa um problema.
Mas em renda fixa, ADRs e produtos menos convencionais, a oferta ainda não se equipara à das corretoras tradicionais, como Charles Schwab e Interactive Brokers.
Novos provedores, velhas limitações
Para contornar parte dessas limitações, algumas plataformas passaram a integrar novos provedores.
Isso permitiu que Avenue, BTG e XP passassem a oferecer ETFs UCITS europeus, uma alternativa que evita o problema tributário dos ETFs americanos.
Como a própria DriveWealth iniciou operações na Europa, é razoável esperar que outras plataformas sigam esse caminho.
Mas a lógica permanece exatamente a mesma.
A oferta continuará dependendo da capacidade do provedor europeu.
Isso pode significar um universo de investimentos mais restrito do que o disponível em uma corretora global como a Interactive Brokers.
Por outro lado, como ETFs possuem uma estrutura muito mais simples do que títulos de renda fixa negociados em mercado de balcão, essas limitações tendem a ser menores.
Conclusão
Para quem pretende investir em ações, ETFs ou até opções negociados nas bolsas americanas, plataformas como Nomad, Inter, Avenue, BTG e XP são excelentes alternativas.
A combinação de infraestrutura especializada, aplicativos intuitivos e integração com serviços bancários torna o investimento simples e acessível.
E, para quem pretende investir nos ETFs UCITS mais populares, as novas ofertas europeias também representam excelentes opções.
Por outro lado, para investidores focados em renda fixa internacional, ADRs e produtos menos convencionais, as limitações desse modelo tornam-se mais evidentes.
Nesses casos, corretoras como a Charles Schwab e a Interactive Brokers podem oferecer uma experiência mais completa.
No fim das contas, não existe uma solução melhor para todos.
Tudo depende dos objetivos de cada investidor.
E você? Essas plataformas atendem às suas necessidades ou sua estratégia exige uma corretora totalmente integrada?
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Disclaimer: O conteúdo deste artigo é estritamente educacional e informativo. As análises, conceitos e estruturas aqui apresentados refletem a filosofia de alocação e o estudo de mercado do autor, não constituindo, sob hipótese alguma, recomendação de compra, venda ou indicação de investimento em qualquer ativo financeiro ou plataforma mencionada.







