Com uma conta em uma corretora americana, é fácil comprar ações de empresas dos Estados Unidos.
Mas alguns investidores desanimam ao descobrir que a fabricante do Ozempic é da Dinamarca, a BMW é da Alemanha, a Nestlé é da Suíça e a Louis Vuitton é da França.
A boa notícia é que, por meio dos ADRs, é possível investir em todas essas empresas em dólares e sem precisar abrir contas em diversos países.
Neste artigo, vamos entender como isso funciona e quais cuidados merecem atenção.
Ações estrangeiras
Apesar da forte internacionalização dos mercados, aproximadamente 90% das empresas têm ações listadas apenas na sua bolsa de valores local.
Muitos investidores encontram oportunidades em empresas da Europa, Ásia e América Latina.
Mas poucos têm disposição para lidar com diferentes moedas, custos adicionais e a burocracia de investir em diversas bolsas ao redor do mundo.
Para contornar esse problema, foram criados os ADRs.
ADRs
No programa de ADRs, um banco depositário adquire ações em bolsas estrangeiras e negocia recibos representativos dessas ações no mercado americano.
Quando isso acontece com a participação da empresa emissora, os ADRs são chamados de patrocinados.
Quando não há participação da empresa, são chamados de não patrocinados.
Na prática, porém, a diferença mais importante para o investidor é saber onde esses ADRs são negociados.
ADRs negociados em bolsa
Os ADRs de Nível 2 e Nível 3 são negociados na Bolsa de Nova York (NYSE) ou na Nasdaq.
Para o investidor, existem poucas diferenças aparentes entre eles e as ações americanas.
Eles seguem toda a rigorosa regulamentação da SEC, a CVM americana.
Até mesmo o ticker segue o padrão americano de três ou quatro letras.
Alibaba, Toyota, Shell, Unilever, Petrobras, Vale e CSN fazem parte desse grupo.
Praticamente qualquer corretora americana oferece acesso a esses ADRs nas mesmas condições das ações negociadas nos Estados Unidos.
Mas a situação muda bastante no próximo caso.

ADRs negociados no mercado de balcão
Existe um segundo grupo de ADRs, muito mais numeroso.
Nele estão empresas que optaram por cumprir apenas as exigências mínimas da SEC e ADRs emitidos pelos bancos depositários sem participação da empresa.
Esses ADRs não são negociados em bolsa.
Eles são negociados em mercados de balcão organizados, como o OTCQX e o Pink Sheets.
E vale deixar claro: isso não representa, por si só, nenhum demérito.
Empresas gigantes como Roche, Adidas, Nintendo e Nestlé são negociadas nesses mercados.
O problema é que algumas corretoras tratam esse segmento de forma bastante diferente.

Nem toda corretora oferece acesso
Diferentemente da NYSE e da Nasdaq, o mercado OTC possui uma regulamentação menos rígida.
No Pink Sheets, um ADR da Louis Vuitton pode ser negociado no mesmo ambiente que empresas altamente especulativas.
Por isso, cada corretora define sua própria política de acesso.
Grande parte das plataformas voltadas ao público estrangeiro não permite negociações no mercado OTC.
Outras, como a Webull, fazem uma curadoria e oferecem acesso apenas a uma lista pré-selecionada de ADRs.
Atualmente, por exemplo, Nestlé e Volkswagen estão disponíveis, enquanto Roche e BMW não fazem parte dessa seleção.
Já corretoras como a Interactive Brokers e a Charles Schwab oferecem praticamente todo o catálogo.
É fácil reconhecer esses ADRs na plataforma.
Seus tickers normalmente possuem cinco letras e terminam com a letra Y.
Além disso, algumas corretoras exigem uma autorização adicional antes de liberar negociações nesse mercado.
Para o investidor, inúmeras empresas excelentes estão disponíveis por meio dos ADRs OTC.
Por isso, uma corretora que facilite esse acesso pode representar uma ferramenta bastante valiosa.
Atenção aos custos e aos impostos
As vantagens de negociar em dólares, muitas vezes com corretagem zero e sem precisar converter recursos para uma terceira moeda, são bastante evidentes.
Mas existem dois pontos que merecem atenção.
O primeiro são os custos cobrados pelo banco depositário.
Normalmente, ele cobra uma taxa anual entre US$ 0,01 e US$ 0,05 por ADR.
Sempre que possível, esse valor é descontado diretamente dos dividendos.
Em ADRs negociados por dezenas ou centenas de dólares, esse custo costuma ser praticamente irrelevante.
A atenção deve ficar para ADRs de valor muito baixo.
Por exemplo, uma taxa anual de US$ 0,05 sobre um ADR negociado a US$ 1 representaria um custo proporcional bastante elevado.
Felizmente, esse tipo de situação é raro, pois o próprio banco depositário normalmente realiza agrupamentos de ADRs.
O segundo ponto são os impostos sobre dividendos.
As alíquotas seguem as regras do país de origem da empresa.
Isso significa que empresas suíças, como Roche e Nestlé, sofrem retenção de 35%.
Empresas alemãs, como Adidas e BASF, sofrem retenção de aproximadamente 26,38%.
Manter um registro dessas retenções facilita evitar uma nova tributação na declaração do Imposto de Renda brasileira.
Conclusão
Os ADRs transformam uma conta em uma corretora americana em uma ferramenta global de acesso a ações internacionais.
Como em qualquer investimento, análise e diligência continuam sendo indispensáveis.
Para os ADRs negociados em bolsa, praticamente qualquer corretora americana oferece acesso.
Já para o universo muito maior dos ADRs negociados no mercado OTC, corretoras como Interactive Brokers, Charles Schwab e, em parte, Webull ainda oferecem vantagens importantes.
Você já conhecia os ADRs?
Já investiu em algum ADR negociado no mercado OTC?
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Disclaimer: O conteúdo deste artigo é estritamente educacional e informativo. As análises, conceitos e estruturas aqui apresentados refletem a filosofia de alocação e o estudo de mercado do autor, não constituindo, sob hipótese alguma, recomendação de compra, venda ou indicação de investimento em qualquer ativo financeiro ou plataforma mencionada.





